“ Como agradecerei ao Senhor tudo quanto me deu!”

O ano 2018 foi um ano de graças para mim, porque com a ajuda do Senhor, dos nossos fundadores, das irmãs, da família e das pessoas que rezam por mim e que me querem bem, pude realizar a minha primeira profissão; e ao mesmo tempo viver e celebrar o ano Jubilar como sinal de reconhecimento e gratidão ao nosso Bom Deus, que nos convida a regressar à fonte para espelhar-nos na vida dos nossos Pais Fundadores com fé e confiança em Deus que lhes acompanhou e que continua a acompanhar-nos, neste projeto Missionário. Também foi o meu ano da integração na comunidade de envio na qual me encontro hoje. Queridas irmãs é com muito carinho que quero partilhar-vos a minha experiência de missão nas Mahotas, comunidade São Domingos. Estou na casa de formação, do postulantado, a comunidade que me tem visto crescer.

Após a minha chegada, senti-me muito bem acolhida pelas irmãs: Odete e Inocência e pelas manas postulantes, que nos primeiros dias me ajudaram muito na integração da Comunidade e me foi concedido o projeto comunitário para a minha melhor compreensão da vida e os programas da Comunidade.

Quanto aos trabalhos sociais: acompanhei um grupo de adolescestes no Centro Social Flori, foi uma experiência muito bonita, partilhar com eles o que na vida aprendi. No princípio, não foi tão fácil lidar com este grupo de adolescente, razão pela qual eu buscava aproximar a todos para saber como lidar com cada um deles e aos poucos fui ganhando confiança de cada um. De modo que sempre que eles me viam corriam para dar-me um abraço muito simpático. O mais bonito é que foi possível ganhar a sua amizade. Com a ajuda de Deus e bom humor, paciência e confiança  consegui fazer entender que tudo o que eu queria, e lhes dizia era para o bem deles. E espero que eu tenha deixado algo de mim com eles, porque eu aproveitei muito deles, acima de tudo, acolhi cada um deles como oferta que Deus me deu.

Pastoral em casa

A comunidade confiou-me acompanhar as crianças do projecto de apoio materno infantil. Que tem como objectivo ajudar com o leite e papinhas as crianças de famílias pobres e necessitadas como: órfãs de mãe, abandonadas pelas mães, mães portadoras de HIV, mães com problemas mentais, mães com gémeos ou mães que têm pouco leite no peito. É um trabalho que tem mexido muito com as minhas entranhas, porque cada criança e cada família têm histórias muito tristes e o leite tem ajudado a cada uma das crianças a viver, a crescer e a ter o direito à vida, mesmo enfrentando o sofrimento que cada família assume.

Gosto muito do contacto que tenho tido com os mais necessitados segundo o nosso Carisma, o gesto de dar a mão, de levar no meu colo cada criança, de partilhar a palavra e o pouco alimento que temos recebido, de levar o calor e a alegria de sermos cristãs, como se diz: “há mais alegria em dar do que em receber”. Descobri que neste contacto está a alegria e a vantagem de ser missionária, estando com e ao serviço dos preferidos do Senhor… Tudo isso me tem ajudado a encarnar o nosso Carisma, viver da palavra e a vida partilhada, desde a nossa realidade. Na minha missão eu digo sempre a mim mesma “se Jesus aqui estivesse faria o mesmo, dar ou restituir a vida a cada uma das crianças e vida em abundância”. É um desafio, não só para mim como é também o que o povo espera de mim e de nós Irmãs. Aqui são muitas as necessidades materiais e espirituais, fazemos o que podemos na “vinha do Senhor”. A nossa vida vale a pena, é uma vida cheia de sentido e por isso me animo a seguir adiante e sinto orgulho de ser missionária do Senhor, segundo o espírito dos nossos Fundadores.

Também eu e a irmã Saquina temos acompanhado o grupo vocacional da paróquia e o Movimento Juvenil Dominicano. Tem sido uma experiência com muitos desafios, porque buscamos lançar as redes que é a palavra de Deus, acompanhada com o nosso testemunho de vida para ajudar os adolescentes e jovens a sentirem-se chamados por Jesus, a fazerem a experiência do “vinde e vede”.

Mais não tem sido fácil. O bom é que sempre temos acolhido os jovens que aceitam juntar-se ao grupo e juntos temos feito esta caminhada com Jesus, a exemplo de São Domingos, que foi um grande pregador do Evangelho. É um grupo que está na fase de crescimento e que, aos poucos, se vai identificando com a Família Dominicana. Esta experiência tem-me ajudado a deixar-me interpelar, alimentar e iluminar com a Palavra de Deus, para que as pessoas que se aproximarem de nós se sintam iluminados pela mesma Palavra, a partir da nossa maneira de ser, de estar e de falar.

Vida comunitária

A oração comunitária é o alimento que nutre o nosso dia, é lá onde nos alimentamos espiritualmente com a palavra, deixamo-nos interpelar e orientar. E a exemplo de são Domingos temos sempre a atenção de dar a conhecer ao povo a presença de Deus, e apresentar a Deus os desafios e preocupação do povo. A exemplo das primeiras comunidades no  partilhamos a missão. Desde a pastoral catequética, pastoral da escuta,  estudo comunitário e momentos de lazer.

Obrigado irmãs pelo vosso acolhimento e oração.

Marina Vasco
Comuidade S. Domingos
Mahotas

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