Olhar para Angola na era da paz, em plena reforma do Estado significa abraçar as exigências do desenvolvimento sustentável concretizado no combate às assimetrias regionais, à corrupção e apostar na melhoria da qualidade de vida das pessoas e promover o bem viver que passa pela intervenção do factor humano.

Repensar qualidade de vida para todas as pessoas e da intervenção do factor humano, num país que procura reerguer-se do abismo da pobreza, das desigualdades de oportunidades, implica recuperar o projecto pós independência de formar “o homem/mulher Novo/a”, adequando-o às exigências dos tempos actuais, tornando-o capaz de participar activa e plenamente na vida da comunidade e ser cidadão/ã do mundo. Este movimento requer um renovado compromisso com a educação, por ser um dos pilares de sustentabilidade de uma nação e de um povo.

O termo “qualidade” tanto usado nos discursos, hoje, em Angola, atendo-nos ao longo alcance do significado é um conjunto de “princípios básicos de eficiência e de racionalização decorrente de permanentes desafios sociais, económicos políticos e humanos” (Pavão, 2016 p. 129). E Angola regista mudanças numa altura em que celebra dezassete anos de paz e dezoito anos de reforma educativa e curricular, envolvido na avaliação do impacto da reforma e no lançamento do Projecto Programa Educação para Todos (PAT) no qual constata os resultados do ensino/aprendizagem reportam baixa qualidade, nomeadamente:

– Os resultados dos últimos concursos públicos para ingresso no mercado de trabalho os professores, os médicos e enfermeiros recentemente formados quer a nível nacional como também no exterior do país, deram conta de reprovações massivas;

– Os tetes de admissão à frequência do ensino universitário quer nas instituições públicas como nas privadas, revelaram grande défice nos conhecimentos básicos. Exemplo dos candidatos ao curso de engenharia agrária;

– Um estudo sobre os resultados de exames do último ano lectivo, numa das 18 províncias de Angola, concluiu que um grande número de alunos transitou do ensino primário sem ter cumprido com os objectivos dos ciclos do ensino primário ou fundamental: o saber ler e escrever.

-Há fraca adesão dos alunos aos cursos das ciências exactas e 12% para os cursos de educação, sobretudo a primária.

Algumas  tentativas de explicações aos problemas detectados:

– Não há uniformidade nos critérios de exigência na entrada para a frequência dos cursos técnicos e dos cursos universitários tanto nas instituições públicas como nas privadas;

Há problemas da qualidade de ensino/aprendizagem nas classes de base e no seu conjunto como consequência imediata, a escola vai faltando à equidade excluindo os filhos de famílias desfavorecidas que são a maioria na sociedade angolana;

-Constata-se o descomprometimento com a missão de orientação vocacional e profissional nas escolas que revela a excessiva preocupação com a quantidade e não com a qualidade que tem a ver, também com a eficácia do ensino aprendizagem;

Portanto, celebrar 17 anos de paz, avaliar os benefícios da reforma educativa e curricular, implica repensar Angola no contexto do desenvolvimento sustentável, o novo paradigma político social no qual se inspira a educação para o século XXI. Implica atacar com as exigências no ensino primário e ou no pré-primário. Assim, está em curso um projecto TUPI (Todos Unidos para a Primeira Infância) que visa ajudar as famílias desfavorecidas a educar e formar as crianças estimulando as suas capacidades, habilidades e atitudes, desde tenra idade, para recuperar a excelência do ensino primário e garantir um futuro seguro para as novas gerações.

A mudança na panorâmica aplicativa das políticas sociais abre o espaço de participação na gestão pública de modo que ninguém fique privado dos benefícios dos serviços públicos, particularmente da educação escolar. As garantias de igualdade de oportunidades no acesso à educação, universalidade e gratuidade legisladas clamam pela operacionalização alinhando-as ao 4º objectivo da Agenda de desenvolvimento 2030, ao plano de desenvolvimento nacional e da União africana. Nesta mudança, as igrejas, sobretudo a Igreja Católica é um dos parceiros credíveis para levar até às zonas mais recônditas os objectivos de desenvolvimento através dos serviços de educação a todos os níveis.

Não se faz uma educação de qualidade sem apostar na formação e qualificação do professor. Estes alinhados ao Carisma da nossa Congregação, são terreno fecundo para a vocação e missão da Missionária Dominicana do Rosário, qual filha de Ramón Zubieta e Ascensión Nicol, que movidos por uma situação semelhante à de Angola lançaram-se à aventura de dar suporte básico ao povo da selva peruana para ter seu direito de povo querido e criado por Deus, cidadão activo e indispensável na construção do bem-estar de todos neste mundo e redimido por Cristo, seja reconhecido.

Deste modo, o compromisso com os pobres e esquecidos da sociedade não nos deixa paradas; envolve-nos na atenção às necessidades básicas da aprendizagem e formação de professores qualificados. Abraçando o lema da UNESCO “Formar um professor é garantir uma educação de qualidade” e o do ano lectivo 2019 a nível nacional “Direito à educação é também direito à um professor qualificado” convida-nos a repensar a nossa pastoral neste contexto de mudança e reafirmar o compromisso com a infância, com o ensino primário e com a formação de professores estas etapas de crucial e decisiva da vida da pessoa, no Instituto, João Paulo II, nas escolas de formação de professores em Kalandula e Kilengues para que a nossa intervenção atinja mais gente.   

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